Amostra
Leia o primeiro capítulo grátis
Disponível enquanto durar a magia

Capítulo 1
Os Portões de Arcanum
1. Os Portões da Promessa
O sol mal havia surgido no horizonte, lançando uma luz dourada e pálida sobre a terra, quando Elara parou diante dos portões da Academia Arcanum. O ar da manhã estava fresco e cortante, trazendo consigo os aromas da terra e dos pinheiros das florestas ao redor. Havia um silêncio no ar, uma expectativa contida que refletia o nervosismo que batia em seu peito. A academia erguia-se à sua frente, com torres imponentes que perfuravam o céu como dedos de um gigante estendendo-se em direção aos céus. Cada torre era adornada com entalhes intricados — símbolos antigos e deuses esquecidos, cujas formas pareciam se mover à luz da manhã, como se estivessem vivos, respirando com o ritmo da própria academia.
As muralhas de pedra da academia eram antigas, desgastadas pelo tempo, mas ainda firmes, como se desafiassem os séculos desde sua construção. Vinhas de hera, espessas e vibrantes, se agarravam às paredes, formando padrões quase deliberados. Cada folha possuía minúsculas runas, visíveis apenas a quem olhasse de perto, e essas runas pulsavam suavemente com um brilho interno — evidência das poderosas proteções mágicas que envolviam o lugar. As runas eram mais antigas que a própria academia, vestígios de uma época em que a magia era mais selvagem, menos compreendida e muito mais perigosa. Toda a estrutura emanava uma aura de mistério e poder — uma promessa silenciosa do conhecimento contido dentro de seus muros, capaz de moldar a própria realidade.
Os cabelos ruivos e vibrantes de Elara desciam em ondas suaves por suas costas, captando a luz do amanhecer e formando um halo flamejante em torno de seu rosto delicado. Cada fio parecia ter vida própria, tremeluzindo como chamas ao vento. Sua pele era pálida como porcelana, criando um contraste marcante com o vermelho dos cabelos, conferindo-lhe uma aparência etérea, quase de outro mundo. Seus olhos verdes, abertos e cheios de fascínio, absorviam cada detalhe da academia com um misto de deslumbramento e nervosismo. Eram olhos que já haviam presenciado dor e luta, mas que ainda guardavam uma centelha de esperança — uma crença profunda de que havia algo mais no mundo além do sofrimento que enfrentara.
Suas vestes, em azul e dourado, recém-confeccionadas para sua chegada à academia, ajustavam-se perfeitamente ao seu corpo esguio. O tecido era da mais alta qualidade, macio e luxuoso contra sua pele, e ostentava o brasão da Academia Arcanum — uma fênix estilizada emergindo das chamas, símbolo de renascimento e do poder transformador da magia. As vestes a marcavam como uma novata, uma aluna ainda a ser testada, mas portadora de grande potencial. Apesar da imponência de seu traje, Elara sentia uma vulnerabilidade profunda, como se carregasse nos ombros um manto de responsabilidade para o qual ainda não estava pronta.
A academia era uma maravilha de arquitetura ancestral e engenharia arcana. Suas torres estendiam-se aos céus, como se competissem entre si para ver qual alcançaria o ponto mais alto. A mais alta delas, conhecida como Torre Celestial, era dita o foco de poder da academia, um local onde o véu entre o mundo físico e os planos etéreos era mais tênue. Essa torre era envolta em lendas — histórias de alunos que a escalaram e retornaram com visões profundas… ou que jamais retornaram.
Os terrenos da academia também eram impressionantes — uma vasta extensão de jardins, pátios e laboratórios arcanos. O caminho de pedras sob as botas de Elara parecia firme e reconfortante, embora o peso do que a esperava tornasse seu coração um redemoinho de incertezas. Cada pedra do caminho era gravada com símbolos antigos, cujos significados estavam esquecidos por todos, exceto pelos mais eruditos estudiosos. Diziam que esses símbolos foram esculpidos pelos fundadores da academia — magos poderosos que dedicaram suas vidas à busca do conhecimento e à preservação da magia. Ao caminhar sobre essas pedras, Elara sentia uma conexão com aqueles que vieram antes dela, como se seus espíritos a observassem, guiando seus passos.
O ar ao seu redor estava impregnado de energia arcana, uma presença palpável que vibrava e pulsava com vida. Era como se o próprio solo estivesse vivo, infundido com a magia que preenchia cada canto da academia. Essa energia era embriagante — uma mistura intensa de poder e possibilidades que fazia seu coração acelerar com entusiasmo e medo. Elara sonhava com esse momento desde que podia se lembrar, mas agora que o vivia, sentia-se sobrecarregada pela grandiosidade da ocasião. A academia não era apenas um lugar de aprendizado — era um cadinho, onde os fracos eram moldados em algo mais forte… ou quebrados pelas provações que enfrentavam.
Esssa foi uma parte do primeiro capítulo